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SPHERESCENT

Mendes Wood
Rua da Consolação, 3358
Jardins, São Paulo, Brasil

 

18 de Setembro – 30 de Outubro, 2010
Abertura: Sábado, 18 de Setembro, 14hs

 

Mendes Wood tem o prazer de apresentar pela primeira vez no Brasil uma exposição individual do artista argentino Felix Larreta. Com seu trabalho altamente original Spherescent, o artista nos leva às fronteiras da Ciência e da Arte.

 

O Professor Darren Tofts escreve:

 

“O que um polvo e a natureza do universo têm em comum? Se você tivesse a oportunidade de se sentar com o artista Felix Larreta ele lhe diria. Ele fala com a energia inspirada do visionário, seus pensamentos abarcam amplamente a matemática de Kurt Gödel, a geometria fractal de Benoît Andelbrot e a biologia de Ernst Haeckel. Larreta é fascinado pelas ligações entre os minusculamente pequenos e os profundamente grandes, a célula e o organismo, o grão de areia e a praia, a árvore e a floresta. Ao invés de ser confundido por opostos aparentemente inconciliáveis, ele vê um lirismo gracioso que liga ambos em formas que explicam como universos podem caber dentro de uma casca de noz.

 

Como um artista de mídia baseada em computador, Larreta está engajado pela sedutora alquimia pela qual a complexidade é gerada a partir de alguns componentes simples, sejam o DNA, o alfabeto ou o algoritmo digital. Ele não está interessado em fazer obras que ilustram ou explicam tais processos. Ele quer trazê-los para a vida. Imagine, então, uma obra de arte que se comporta como um organismo. Biorrítmica, sensível e inteligente, a obra responde a nossa presença, mudando de matiz, textura e atitude como, bem, um polvo. Spherescent é uma obra assim, onde a economia estrita do código binário (zeros e uns) transforma som e visão em um vislumbre intímo e privado sobre as origens da vida.

 

O compositor Gustav Holst imortalizou a idéia de uma harmonia sonora, ou música das esferas, em Os Planetas. Com formação em música eletrônica, Larreta, da mesma forma, interpreta as origens do universo digital em termos de som, gerando os blocos construtivos visuais de Spherescent a partir de ondas sine produzidas por m sintetizador analógico.

 

As imagens são, por sua vez esculpidas como som no micro-universo da instalação Spherescent, lembrando-nos de que o cosmos, como acontece com todas as forças vitais, é construído em ciclos de retorno e regeneração. É uma construção elegante e atmosférica que traz à mente a câmara escura, o cinema e o ambiente de realidade virtual. Todas essas midias diversas são baseadas na longa história das tecnologias da ilusão, a fantasmagoria, a lanterna mágica e o jogo de sombras. Larreta estende essa fascinação com o virtual, a percepção do que não está realmente lá, pelo mapeamento de aspectos de seu mundo esférico nas facetas não-circulares do polígono. Na tradição do mago, do mágico e do ilusionista, Larreta curva e distorce a luz nesta câmara com arestas e linhas retas para formar uma esfera gloriosa e translúcida. Ele também não precisa de Stephen Hawking para lhe dizer que no mundo quântico, as conseqüências de curvar a luz são consideráveis.

 

Sentindo a presença de visitantes no espaço, a obra responde produzindo sons improvisados que não foram compostos pelo artista. Como colaboradores do Spherescent, nos tornamos parte do mundo que a obra materializa. Como borboletas para furacões na famosa descrição da teoria do caos, nós interagimos com a obra de formas imprevisíveis que têm resultados imprevisíveis e incontroláveis. Os resultados são a tradução de um sentido para outro, como ver a música como padrões de luz e cor, ou ouvir imagens como freqüências de som; a experiência de sinestesia a que os místicos muitas vezes se referem como transcendência. Como um ambiente imersivo e ativado, Spherescent envolve a forma com um lirismo e poesia que une e resolve seus elementos diversos e discretos (espelhos, software, lâmpadas) em uma esfera iridescenete, do qual o trabalho deriva seu nome. A esfera, o símbolo clássico da perfeição, é a assinatura da harmonia, a qualidade elementar que gera toda a criação.

 

Larreta tem uma versão do Spherescent que cabe em uma caixa de viagem, do tipo que os músicos usam para carregar seus equipamentos em viagens – um kit dificilmente associado com divindades ou criadores de mundos em geral. Esta imagem de um universo dentro de uma mala (como a Boîte en valise, ou Museu portátil de Marcel Duchamp), traz à mente a figura do Aleph, da ficção com o mesmo nome pelo conterrâneo imortal de Larreta, o escritor Jorge Luis Borges. Nesta história, uma imagem de todo o tempo e espaço, do tamanho de uma moeda, é encontrada em uma adega doméstica em Buenos Aires. É sublime, cristalina e estranhamente familiar, o presságio de um outro mundo que virá: Sob esse degrau, a direita, vi uma pequena esfera iridecente de brilho quase insuportável. A princípio pensei que estivesse girando; então eu percebi que o movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosas manifestações dentro dela.”

 

Larreta nasceu na Argentina e divide seu tempo entre Berlim, Paris e Barcelona. Spherecent já foi exposto no Adelaide Bank Festival of Arts em março de 2008 na Austrália, Terri and Donna em Miami durante a Art Basel Miami Beach, em 2009/2010, e também no Palais de Tokyo, Paris, MUAC, e Cidade do México Malba, Buenos Aires.