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Paulo Nimer Pjota, <em>Black Painting part. 1</em>, 2017, acrílica sobre tela e resina, 217 × 210 cm (tela) 30 × 15 cm (objetos) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>3 Wise Men part. 1</em>, 2017, acrílica sobre chapa de metal e resina, 370 × 190 cm (tela) 25 × 23 cm (objetos) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>War,</em> 2017, acrílica sobre ferro, 60 × 30 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Blue Indigo</em>, 2017, acrílica, lápis, tinta, imã, caneta sobre canvas, chapa de alumínio e resina, 260 × 200 (painting) cm 37 × 21 cm (objects) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Mcdonalds</em>, 2017, fotografia digital, 29,7 × 42 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Rome</em>, 2017, fotografia digital, 29,7 × 42 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Tribal Pottery,</em> 2017, acrílica e caneta sobre alumínio, 97 × 80 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Coincidences that crossed the ocean,</em> 2017, acrílica, lápis, caneta, pigmento sobre tela, placa de ferro, resina e silicone, 246 × 195 cm (painting) 30 × 23 cm (objects) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Brussels</em>, 2017, fotografia digital, 29,7 × 42 cm - Mendes Wood DM
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Paulo Nimer Pjota, <em>Black Painting part. 1</em>, 2017, acrílica sobre tela e resina, 217 × 210 cm (tela) 30 × 15 cm (objetos) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>3 Wise Men part. 1</em>, 2017, acrílica sobre chapa de metal e resina, 370 × 190 cm (tela) 25 × 23 cm (objetos) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>War,</em> 2017, acrílica sobre ferro, 60 × 30 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Blue Indigo</em>, 2017, acrílica, lápis, tinta, imã, caneta sobre canvas, chapa de alumínio e resina, 260 × 200 (painting) cm 37 × 21 cm (objects) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Mcdonalds</em>, 2017, fotografia digital, 29,7 × 42 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Rome</em>, 2017, fotografia digital, 29,7 × 42 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Tribal Pottery,</em> 2017, acrílica e caneta sobre alumínio, 97 × 80 cm - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Coincidences that crossed the ocean,</em> 2017, acrílica, lápis, caneta, pigmento sobre tela, placa de ferro, resina e silicone, 246 × 195 cm (painting) 30 × 23 cm (objects) - Mendes Wood DM
Paulo Nimer Pjota, <em>Brussels</em>, 2017, fotografia digital, 29,7 × 42 cm - Mendes Wood DM
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29/06 – 05/08 2017


O trabalho de Paulo Nimer Pjota se desenvolve a partir da natureza de fenômenos originados coletivamente. Sua pesquisa e prática se concentram num estudo profundo sobre um tipo de iconografia popular que só pode se desenvolver por meio de processos complexos operados por incontáveis mãos. Podemos então pensar sua produção como a representação de um diálogo plural e agitado, cujos entendimentos estão sempre em transformação, percorrendo múltiplos fluxos de consciência. Uma conferência de muitas vozes com canais de pesquisa abertos, num espaço e tempo não homogêneos, tampouco lineares. 

O artista usa como suporte, em regra, grandes telas, sacos e chapas de metal. A maior parte desses materiais são encontrados em depósitos de dejetos, para então passarem por processos de negociação e deslocamento. As peças escolhidas, naturalmente, chegam com as inscrições de outros tempos e usos, de maneira que criam um primeiro terreno — gráfico e espiritual — para o que irá ganhar forma nessas superfícies. A partir daí surgem fábulas globais que combinam história da arte com cultura de massa, cânones universais com banalidades cotidianas, símbolos universais com temas regionais. 
Ao abordar a complexa teia do imaginário social contemporâneo, Pjota sublinha os clichês da pintura e da escultura clássica com o que encontramos a todo instante, em qualquer biboca. É quando a máscara Fang notória pela influência sobre Picasso pode ir ao lado de garranchos e imãs de geladeiras; vasos gregos podem existir num jogo compositivo com adesivos comerciais; e caveiras tibetanas impregnadas em uma lataria velha podem formar novos totens em conjunto com emojis e figuras do Mickey.

Nesta exposição, além das conhecidas pinturas marcadamente estilísticas, o artista também expõe parte de sua pesquisa empírica por meio de um vídeo e três fotografias. Da agressividade inventiva dos shows de rap à passividade exuberante das vitrines de lojas e museus, estes registros feitos com o celular revelam suas movimentações na rua e o que apreende do bombardeio de informações diário, assim como suas preocupações de ordem sociocultural. Cada lance justapõe a linguagem de zonas periféricas com os códigos da alta cultura e do mainstream, dialogando com traumas e catarses públicas livremente, sem que haja protagonismo anteriormente definido em seu fluxo narrativo e nem resoluções de fácil trato. Restam disputas e convergências num ruído embolado.Na tensão entre a liberdade da escolha aleatória e a precisão de uma meticulosa composição, suas obras conjugam representações num vazio sem gravidade. O resultado são cenários intensos, permeados por literalidades, metáforas, analogias e sugestões que reformulam o mundo por meio de uma constelação de corpos suspensos. Mobilizadas por um humor afiado e um estado de constante consternação, as relações entre os elementos geram anacronias que lidam com o manejo de ícones e índices e seus papéis nas relações de poder que vêm se arrastando pela história. 

O interesse de Pjota é, sobretudo, pelos mecanismos e processos que produzem, editam e difundem manifestações humanas numa época da internet e ultra comunicação — em que as demandas são cada vez mais globais ao passo que as condições de produção cada vez mais locais. Por meio de ritmo, rima e repetição vêm à tona imagens que indexam as percepções comuns de um planeta globalizado e que, consequentemente, expõem suas profundas desigualdades. 

Os contos que emergem desse processo não atendem a um único entendimento, fazendo circular inúmeras possíveis contextualizações. Com efeito, ainda que nos percebamos atravancados num círculo histórico opressor, torna-se possível questionar a forma como formulamos informação e distribuímos nossos afetos, reconfigurando nossas sensibilidades para com o que nos cerca e promovendo possibilidades de interação social antes impensáveis. 

Paulo Nimer Pjota (São José do Rio Preto, 1988) vive e trabalha em São Paulo. Suas exposições incluem: Synthesis between contradictory ideas and the plurality of the object as image I, Mendes Wood DM, São Paulo (2016); Synthesis between contradictory ideas and the plurality of the object as image II, Maureen Paley, Londres (2016); Sistema Relacional, Paço das Artes São Paulo, São Paulo (2013); 1º Mostra do programa de exposições, Centro Cultural São Paulo, São Paulo (2012); PAINTING |OR| NOT, The KaviarFactory, Lofoten, Noruega (2017) New Shamans/Novos Xamãs: Brazilian Artists, Rubell Family Collection, Miami (2017); The World is Made of Stories, Astrup Fearnley Museet, Oslo (2015/2016); Imagine Brazil, DHC/Art Foundation for Contemporary Art, Montreal (2015/2016); 19º Here There, Here There, QM Gallery Al Riwaq, Doha (2015); Imagine Brazil, Astrup Feranley Museet, Oslo (2013); Entre-temps... Brusquement, et ensuite, 12e Biennale de Lyon, Lyon (2013).


Germano Dushá

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