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28/02 – 24/04 2018


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a primeira individual de Dadamaino em Nova York. Dadamaino (n. Emilia Maino, 1930-2014) foi uma das protagonistas da vanguarda milanesa no pós-guerra. Embora muitas vezes tenha sido considerada uma figura solitária, Dadamaino foi uma das mais influentes mulheres do circuito europeu das artes. Com curadoria de Sofia Gotti, a exposição reúne trabalhos da série Volumes (1958-1960), Modular Out of Sync Volumes (1960-1961) e a icônica instalação The Facts of Life (1977-1981), traçando o desenvolvimento da pesquisa de Dadamaino no campo da abstração e do espacialismo nas duas primeiras décadas de sua carreira. Além dessas obras, uma seleção de raros materiais do Archivio Opera Dadamaino nos ajuda a contextualizar sua prática em meio a um vibrante cenário artístico, destacando também seu envolvimento ativo nas políticas de esquerda.

Como uma dos membros fundadores da Azimut/h — galeria e revista de mesmo nome criadas por Piero Manzoni, Enrico Castellani e Agostino Bonalumi ­­­—, Dadamaino teve uma participação bastante ativa nos círculos de vanguarda, em especial durante as décadas de 1960 e 1970. Ela colaborou com grupos que estavam na dianteira da arte cinética, op art, cibernética e espacialismo, incluindo os grupos italianos Gruppo Punto e Gruppo N, o GRAV de Paris, o grupo alemão Zero e o grupo holandês Nul. Ela também coordenou as operações do NTrc (Grupo de Pesquisa Contínua de Novas Tendências), fundado em Zagreb, e uma multiplicidade de iniciativas, nas quais ela, muitas vezes, era a única mulher. Entre 1968 e 1971, ela se envolveu em atividades de militância política com grupos anarquistas independentes em Milão, guiando sua criatividade e interesse para a formulação de uma nova estética que expressasse o clima cultural e político de sua época.


Os três conjuntos de obras apresentadas na mostra destacam o desenvolvimento de uma retórica visual única, capaz de transmitir mensagens, ao mesmo tempo, pessoais e políticas. Sua série Volumes, composta de telas monocromáticas perfuradas com buracos elípticos, desafia a natureza fixa da tela. Em sua absoluta simplicidade, esses trabalhos levam o espectador a uma jornada de possibilidades de perspectivas, sombras e vazios. Inspirada pelo espacialismo de Lucio Fontana (que ela considerava um mentor e que foi um dos primeiros colecionadores de seu trabalho), a série Volumes marca um momento de virada na investigação de Dadamaino sobre o potencial comunicativo de ritmos e códigos. Nessa ocasião, seu nome também passou por uma recodificação: primeiro, Emilia mudou seu nome para Dada, o diminutivo de seu segundo nome, Edoarda, e logo depois Dada e Maino foram fundidos para se tornar Dadamaino.

Enquanto as perfurações em Volumes se multiplicavam de únicas para triplas, a artista também explorava as possibilidades oferecidas por materiais domésticos contemporâneos, incluindo cortinas de chuveiro e furadores de papel, em sua série Modular Out of Sync Volumes. Aqui, sua ação de perfurar a tela se torna cada vez mais sistemática. Refletindo sua preocupação com modos de comunicação despersonalizados, Modular Out of Sync Volumes acabou por abrir caminho para o código imaginado, mas metódico, usado em The Facts of Life. Graças à contribuição imprescindível do Archivio Opera Dadamaino, essa obra fundamental irá proporcionar aos visitantes a oportunidade de entrar em algo semelhante ao espaço íntimo da mente de Dadamaino. O ambiente imersivo é composto daquilo que ela chamava de “alfabeto da mente”, um total de 16 letras imaginadas, sendo cada uma delas reproduzida infinitamente em centenas de telas e retângulos de papel que circundam o espectador.

Entre as várias inscrições biográficas encontradas por trás das letras que compõem The Facts of Life há frases como “luta em tempo integral”, “Outubro Vermelho”, “um dia chuvoso e outro e outro” e “lutando para ver um raio de luz”. A conexão entre o seu trabalho e eventos do dia a dia, devaneios ou referências ao clima político nos ajudam a contextualizar a importante contribuição de Dadamaino e o envolvimento contínuo com a vanguarda internacional e com grupos de ativismo político.

Dadamaino (1930-2004) viveu e trabalhou em Milão, Itália. Suas mostras individuais incluem, entre outras: Gruppo N, Pádua (1961); Padiglione d’Arte Contemporanea, Milão (1983); Stiftung für Konstruktive und Konkrete Kunst, Zurique (1996); Bochum Museum, Bochum (2000) e Centre d’Art Contemporain, Dijon (2013). Ela participou de mostras coletivas em instituições como Galleria Azimut, Milão (1958); Stedelijk Museum, Amsterdã (1962); Palazzo Strozzi, Florença (1963); The New Vision Center, Londres (1964); Galerie de l’Art Contemporain, Zagreb (1968); Centre National d’Art Contemporain, Paris (1969); Museo Puskin, Moscou (1970); Studio Marconi, Milão (1977); Galeria Studio, Varsóvia (1979); Bienal de Veneza, Veneza (1980 e 1991); Centre Georges Pompidou, Paris (1982); ICA e Hayward Gallery, Londres (1982); Frankfurter Kunstverein, Frankfurt am Main (1985 e 1987); Liljevalchs Konsthall, Estocolmo (1991); The Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York (1994 e 2014); Museo Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires (1995); P.S. 1 Contemporary Art Center, Nova York (1999); Peggy Guggenheim Collection, Veneza (2009, 2011e 2014); Palazzo Fortuny, Veneza (2015).

A Mendes Wood DM gostaria de agradecer à Sofia Gotti, Alexandra Mollof e ao Archivio Opera Dadamaino pelo seu generoso envolvimento nesta exposição.

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