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Texto

23/01 – 23/02 2019


Amadeo Luciano Lorenzato. Pintor autodidata e franco atirador. Não tem escola. Não segue tendências. Não pertence a igrejinhas. Pinta conforme lhe dá na telha. Amém - 
Amadeo Luciano Lorenzato, 1946


A Mendes Wood DM Nova York tem o prazer de apresentar uma exposição de obras do pintor brasileiro seminal Amadeo Luciano Lorenzato (1900–1995). Composta de pinturas feitas entre 1973 e 1993, esta exposição marca sua primeira apresentação individual nos Estados Unidos. Atraído para o mundo natural e símbolos da vida cotidiana, Lorenzato retratou paisagens, vidas e cenas de sua vizinhança. Seu objetivo não era reproduzir seu ambiente, mas traduzi-lo através de uma visão simplificada de formas geométricas reduzidas, utilizando ricos pigmentos artesanais e pinceladas definidas.

Nascido em 1900 em Belo Horizonte, Brasil para imigrantes italianos, a experiência de Lorenzato foi a de deslocamento. Aos 20 anos, ele e sua família voltaram para a Itália, onde trabalhou em vários trabalhos de construção e restaurou afrescos, além de viajar por toda a Europa. Foi durante suas viagens que ele mergulhou no trabalho, pintando pequenos guaches que venderia para se sustentar, e foi exposto a museus e às obras de Matisse e Picasso. Em 1948, Lorenzato retornou ao Brasil e continuou a trabalhar na construção civil e como pintor de murais. Oito anos depois, ele sofreu uma grave lesão na perna que, consequentemente, aos 56 anos, permitiu que ele se dedicasse exclusivamente à pintura até sua morte, em 1995.

Através de seu trabalho na construção civil, Lorenzato adquiriu uma compreensão íntima dos materiais e muitas vezes fez suas próprias telas utilizando arame, placas de cimento ou papelão. Ele também implementou técnicas e ferramentas de seu tempo como pintor de murais, utilizando pentes, escovas e garfos, que ele chamou de pincel-pente, ou pente-escovas. Estas ferramentas grosseiras, mas expressivas, permitiram-lhe alcançar a pincelada profundamente enrugada e menos incisiva das suas superfícies frenéticas.

Embora Lorenzato tenha trabalhado em isolamento durante a maior parte de sua vida, ele pintou na tradição mineira como estabelecido pelo célebre pintor modernista brasileiro de meados do século XX, Alberto da Veiga Guignard. Como Lorenzato, o tema preferido de Guignard foi a paisagem, nublada e suspensa em gravidade, enquanto o mundo de Lorenzato repousa entre a elasticidade e o construtivismo.

Em grande parte um artista autodidata, Lorenzato considerava pintar uma atividade cotidiana, uma extensão natural de si mesmo e “uma forma de sobrevivência espiritual”. Uma parte vital de seu processo criativo acontecia em longas caminhadas pela sua casa e no campo, fazendo desenhos e esboços que ele mais tarde traduziria para pinturas de memória. Ele filtrou, abstraiu e transferiu essas memórias para a tela, misturando organicamente elementos pictóricos e temáticos em suas obras. Em Sol e Céu Vermelho, 1980, um sol vermelho se põe atrás de uma cadeia de montanhas arborizadas, cercado por nuvens vermelhas oblongas. O calor do sol irradia para o céu ao redor, e os verdes da floresta são profundos e imersivos. As árvores e o céu têm uma qualidade riscada similar, criando movimento convulsivo através de seu simples gesto pulsante e texturizado.

As pinturas de Lorenzato não traduzem o real - as nuvens não são meramente nuvens, e as sombras não são apenas sombras -, mas sim possibilidades de nuances de aparências e habitam um mundo ilusório. Através de sua pintura, Lorenzato desenvolveu uma linguagem privada pura e poderosa que oferecia uma visão crítica da realidade que o rodeava.

Canção minimalista
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

– Cecília Meireles


Amadeo Luciano Lorenzato (1900-1995, Belo Horizonte, Brasil). Seu trabalho foi exposto em inúmeras exposições individuais e coletivas, incluindo uma exposição retrospectiva de 1995 no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, Brasil. Suas recentes exposições incluem: David Zwirner, Londres, Reino Unido, 2019; Galeria Estação, São Paulo, Brasil, 2014; Lorenzato: E você nem imagina que eu sou Epaminondas, Bergamin & Gomide, São Paulo, Brasil, 2014.
Seu trabalho está incluído em várias coleções públicas, incluindo a Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte; Museu de Arte de São Paulo (MASP); Nouveau Musée National de Monaco; Pinacoteca de São Paulo; e Universidade Federal de Viçosa, Brasil.

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