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07/04 – 17/05 2018


Mendes Wood DM São Paulo tem o prazer de apresentar a terceira exposição individual do artista sueco-argentino Runo Lagomarsino na galeria. O artista aproxima trabalhos recentes e inéditos que dialogam com as histórias de heranças coloniais, fronteiras geopolíticas e culturais e as relações de poder, sob uma perspectiva quase imperceptivelmente melancólica.

Na primeira sala as paredes são completamente carimbadas com as palavras America Amnesia, suscitando uma reflexão sobre o apagamento no processo historiográfico das Américas e suas transformações culturais, ao mesmo tempo em que questiona a leitura automática da América como sendo os Estados Unidos. Uma das paredes é iluminada por um farol de Ford Falcon 78, modelo de carro que se tornou conhecido na Argentina por ser usado, durante a ditadura, por forças governamentais paramilitares como a Triple A (Aliança Anticomunista Argentina) em sequestros e desaparecimentos. Uma luz que não deixava sombras.

Clarear os olhos na escuridão, além de afastar a melancolia, confortar a fraqueza do coração e provocar alegria e magnitude, são essas propriedades medicinais atribuídas ao ouro por um ourives espanhol, meio século após a conquista da Nova Espanha. Entretanto, quando Hernán Cortés diz a Montezuma que ele e seus companheiros conquistadores sofriam de uma doença do coração que somente o ouro poderia curar, estaria se referindo a essa mesma fraqueza e contando com a empatia do Asteca que não poderia negar-lhe o remédio? Ou seria a consciência de que a Metrópole só se define a partir do outro, do ouro do outro? Cortés engana Montezuma para abastecer os cofres da coroa, ou lhe confessa a debilidade do sistema?

A relação inseparável entre conquista e dependência é um ponto de convergência entre os trabalhos da exposição. Aplicados no espaço expositivo – seja num rodapé pirogravado que traz a este espaço algo de doméstico, seja pela repetição de um carimbo que transforma em mural o gesto de escritório, seja em serigrafias que aderem verticalmente à parede contrariando o movimento natural da tinta – os trabalhos não estão presentes sem esforço, ocupam uma posição de fricção, onde o passado não é estático, mas navegável.

Uma caravela coberta pela neblina, uma ilustração do livro Primera crónica y buen gobierno de Felipe Guaman Poma de Ayalas e um recorte de um jornal britânico com a legenda A soft stroke and... A farwell kiss. A notícia mostra a atriz e ativista politica grega Melina Mercouri em visita ao Parthenon no British Museum, como Ministra de Cultura, numa campanha para repatriar o templo. A neblina que faz desaparecer o horizonte (ou a embarcação), o relato do Inca que mostra a extração do olho e da capacidade de ver e os olhos da ministra que chora diante do mármore que hoje leva o nome do seu descobridor; são diferentes aparições de gestos de resistência visíveis sobre a parede lixada.

Runo Lagomarsino ( 1977, Lund). Vive e trabalha entre Malmö e São Paulo.
Seus trabalhos foram incluídos em diversas exposições institucionais como: A Universal History of Infamy, LACMA, Los Angeles (2017); La Terra Inquieta, Fondazione Trussardi, Milão (2017); Little lower layer, Museum Of Contemporary Art Chicago, Chicago (2017); Really Useful Knowledge, Museo Reina Sofia, Madri (2015); Under the same sun, Guggenheim Museum, Nova York (2014). Participou das bienais: Prospect.4, New Orleans (2017); 56th Biennale di Venezia, Veneza (2015); Gothenburg International Biennial, Gothenburg (2015); 12o Bienal de Cuenca, Cuenca (2014); 30a Bienal de São Paulo, São Paulo (2012); 12th Istanbul Biennial, Istanbul (2011).
Suas exposições individuais incluem: We have been called many names, Nils Stærk, Copenhagen (2017); West is everywhere you look, Francesca Minini, Milão (2016); They Watched Us For a Very Long Time, La Criée Centre for Contemporary Art, Rennes (2015); Against My Ruins, Nils Stærk, Copenhagen (2014); We have everything, but that's all we have, Mendes Wood DM, São Paulo, (2013); This Thing Called The State, Oslo Kunstförening, Oslo (2013); Even Heroes Grow Old, Index, The Swedish Contemporary Art Foundation, Estocolmo (2012).

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