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Superlatives and Resolutions

31/05 2014 – 26/06 2014


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Superlatives and Resolutions, primeira exposição individual do artista franco-nigeriano Neïl Beloufa no Brasil. A mostra é uma combinação singular de várias obras aos quais Neïl Beloufa faz uma reorganização em termos do espaço da exposição. Aqui, o artista construiu uma obra com várias camadas que toma a forma de um ambiente modular. A estrutura principal, feita de aço, é composta de materiais heterogêneos e rústicos, como compensados e blindex, papel filme, grades, mas também com objetos artesanais glamurosos feitos de argila e imagens elegantes no papel. O material técnico também faz parte da apresentação – os videoprojetores, alto-falantes e gravadores não são somente acessórios. Ao mostrar imagens em movimento, ao espalhar o som, eles constroem outra narrativa que conecta e desconecta, ao mesmo tempo, a materialidade de todo o espaço. Na verdade, a estrutura modular tem o potencial de um palco, no qual fatos e ficções se fundem. Enquanto isso, a paisagem multidimensional cria a discrepância necessária para entender aspectos utópicos e distópicos contidos na prática de Beloufa.

O principal protagonista deste ambiente é o video intitulado People’s passion, lifestyle beautiful wine, gigantic glass towers, all surrounded by water: the superlative high resolution be. Filmado em 2013 em Vancouver, o vídeo de 10 minutos apresenta entrevistas com pessoas que aparentemente foram selecionadas aleatoriamente na rua. Com uma atmosfera de áudio muito agradável composta de música eletrônica e sons de pássaros, os moradores entrevistados relacionam suas versões pessoais de uma cidade ideal, que nunca foi nomeada. O formato realista do filme dá ao espectador uma primeira impressão de prazer: é como assistir um documentário de mochileiros no Channel Explorer, mostrando todo o bem que há no mundo. Parques, cachoeiras, arranha-céus e estádios, as superfícies claras e espelhadas construídas por países muito civilizados ganham nova aparência ao serem conectadas à armadura física da obra e às diferentes camadas de sua transparência. Por meio do processo de repetição, a filmagem do artista, mostrando apartamentos de cobertura, belas estradas com ciclistas e pedestres, torna-se suspeita. E o paraíso lentamente passa a ser artificial, os sonhos aos poucos são substituídos por mentiras.

Dessa forma, Beloufa confronta o visitante com sua própria consciência. Histórias desconexas sem uma narrativa coerente confundem a orquestração, e os padrões visuais dos espectadores se deparam com suas próprias ideias pré-concebidas. Até a apresentação torna-se uma dúvida, e alguns aspectos vernaculares aparecem por meio da morfologia global da instalação.

Para reforçar esta confusão permanente entre objeto e sujeito, realidade e ficção, global e local, Beloufa mostra outros dois vídeos que enfatizam a semântica geral multi-camadas da apresentação. Um deles é chamado World Domination (2012), e, novamente, ele subverte as convenções do gênero do filme e do documentário ao manipular e corromper a narrativa. Neste filme, atores amadores atuam em papéis geopolíticos, como presidente, primeiros ministros e militares de países fictícios, enquanto têm uma importante e quase improvisada discussão sobre o futuro do mundo. 

Mais uma vez, os filmes de Beloufa seguem caminhos divergentes, que constantemente desafiam as expectativas dos espectadores. Coberto de ambiguidades e incertezas, seu trabalho explora a cada vez mais manchada linha entre o fato e a ficção, enquanto celebra o mundo de teorias da conspiração e contação de histórias.

Neil Beloufa nasceu em 1985, em Paris. Vive e trabalha e vive em Paris (França). As recentes apresentações solo de Neil incluem: Hammer Museum, em Los Angeles (2013); Kunstraum Innsbruck, Francois Ghebaly Gallery, Los Angeles (2013); Palais de Tokyo, Paris (2012); Functions of Light, Balice Hertling & Lewis, Nova York; Balice Hertling & Lewis, Nova York, (2012); Kunsthaus Glarus (2011); New Museum, Nova York (2011). Exposições coletivas incluem a Bienal de Lyon (2013); Cleveland Art Museum, EUA; 55a Bienal de Veneza; The Encyclopedic Palace, Veneza; wiener Secession, 11th Baltic triennale, CAC, Vilnius (2012).


– Estelle Nabeyrat

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