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07/09 – 07/10 2017


Mendes Wood DM Brussels tem o prazer de apresentar The Modern Years, a primeira exposição individual de Luiz Roque na Bélgica. O artista mostra três filmes – Modern, S e Rio de Janeiro –, todos baseados em sua pesquisa sobre escultura moderna e as várias formas de expressar o corpo. Considerando a responsabilidade das formas como ponto de partida para entender o desconhecido, Roque nos oferece cenas cinemáticas que evocam o movimento modernista, o corpo como posicionamento político e deslocamento temporal. Essas cenas são repletas de imagens confrontantes compostas com rigor estético.   

Modern (2014) parte da investigação de Recumbant Figure (1938), de Henry Moore, e estabelece um diálogo com o apelo fashion do artista de performance Leigh Bowery, uma importante figura da vida noturna de Londres nas décadas de 1980 e 1990. O filme contrapõe noções binárias de imobilidade e dança, cultura erudita e popular, história e futuro, para assim compreender melhor as várias iconografias. 

S (2017) emprega a ficção científica para contar a história de personagens subterrâneos que habitam as artérias do submundo e vivem nas sombras da existência cotidiana. O artista explica: Eu queria trabalhar com uma forma não verbal de comunicação e concluí que os personagens, em sua maioria rapazes negros, gays e efeminados, se comunicariam por meio de sinais, da dança e de movimentos coreografados, expressando a tensão entre aquilo que está embaixo e em cima. Cenas dos personagens dançando são combinadas com uma escultura do escultor neoconcreto Franz Weismann que gira continuamente. O movimento dos corpos e da escultura geométrica evocam um sentido de força industrial que fomenta o interminável debate sobre progresso. 

Rio de Janeiro (2017), trabalho mais recente de Roque, se passa no Parque do Flamengo, onde fica o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Uma mulher negra e transexual passeia pela região enquanto ouvimos uma conversa telefônica com a fundadora do museu, que confessa que sonhou com o museu pegando fogo. A conversa se refere ao incêndio que destruiu a maior parte da coleção do museu em 1978. O filme associa a destruição de ícones modernos, incluindo Mlle. Pogany (1920), de Brancusi, com a construção de novos ícones. A cidade mais famosa do Brasil é retratada como uma escultura viva, um lugar de contrastes e tensões estéticas. 

A fotografia Videoarte (2017) foi feita em colaboração com a artista brasileira Erika Verzutti. A posição de sua escultura sobreposta à imagem põe em cheque as noções tradicionais de representação escultural nos tempos modernos. Videoarte incentiva o visitante a abordar a escultura moderna de um ângulo diferente, bem como a pensar sobre as infinitas possibilidades do suporte escolhido por Roque. Com os três filmes, as obras em The Modern Years questionam a dualidade entre o corpo socialmente rejeitado e a iconoclastia do pensamento moderno que permeia a historiografia da arte. O visitante é convidado a interagir em um espaço mútuo, um local para a observação da forma não representada, seja ela material ou política. 

Luiz Roque (1979, Cachoeira do Sul) vive e trabalha em São Paulo. Suas mostras individuais mais recentes incluem HEAVEN, Tramway, Glasgow, 2017; Hall, Mendes Wood DM, São Paulo, 2017; Ancestral, Centro Cultural São Paulo, 2016.

Seus trabalhos também foram incluídos em várias mostras institucionais, tais como: Avenida Paulista, MASP, São Paulo, 2017; 32a Bienal de São Paulo, 2016; A Mão Negativa, EAV Parque Lage, Rio de Janeiro, 2015; The Violet Crab, David Roberts Art Foundation, Londres, 2015; The Brancusi Effect, Kunsthalle, Viena, 2014; 9ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, 2013; Love and Hate to Lygia Clark, Zacheta National Gallery of Art, Varsóvia, 2013.

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