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Thiago Martins de Melo

14/05 2011 – 11/06 2011


A Mendes Wood tem o prazer de apresentar a primeira exposição do artista Thiago Martins de Melo realizada pela galeria. As seis pinturas em grande formato lidam com o impacto da imagem do corpo e o exacerbamento da sexualidade, ambos temas recorrentes na produção do artista.

Tinha a sensação de que aquele que cavilava assim nas trevas não era ele, e sim que estava contemplando seu duplo, um duplo forjado de emoção e que tinha sua aparência exata, com a cara rombaidal, braços cruzados e a cartola caída sobre a testa. No entanto, não conseguia perceber de que natureza eram os pensamentos desse duplo tão intimamente ligado a ele e tão distante de sua compreensão. Porque julgava que seu sentimento de existir era, naqueles instantes, mais efetivo do que a existência de seu corpo. [1] 

Thiago Martins de Melo compreende tal técnica como um sistema próprio de símbolos universais de magia e ciência, que ao comunicarem-se entre si, qual uma antinarrativa biográfica apresentada por seu duplo, conforma uma linguagem e a revela a quem possa querer vê-la. Nos faz ponderar sobre o sentido de uma bad trip de virilidade pictórica e reforça certa crise atual de reconhecimento da figura humana na arte.

O artista ao fazer libertar de tabus e preconceitos a sua obra, transforma, quase perto de intenções antidogmáticas ofensivas, os fantasmas projetados no sexo em vigor erótico. Por um instante, enquanto permanecemos diante de sua pintura, paira uma reação do subconsciente que possa se aproximar talvez a vontade de xingamento e agressão.

A avassaladora autoexposição do desejo libidinal transgressor resvalado diretamente na tela por Martins de Melo, em suma instância, é tomada pelo empréstimo do seu corpo e falo à pintura. Através de reconstrução de cenas da vida doméstica em pulsão, postas lado a lado a visages de serpentes de sedução e traição, seres de possessão, cães engatados pela genitália, raízes que mais parecem tripas, signos e ambientes de tortura e poder religioso-seus dípticos em grande dimensão vingam-se por  independência de superfície da imposta dicotomia representada pela menteversus corpo, que não por ingenuidade em sua obra, assume que esta  separação simplesmente deixou de existir.

Thiago Martins de Melo (São Luís do Maranhão, 1981) é mestre em Psicologia-Teoria e Pesquisa do Comportamento pela UFPA. Tem participado recentemente de exposições coletivas e individuais em diversas instituições, incluindo: Centro Cultural São Paulo, Fundação JoaquimNabuco (Recife), Museu Murillo La Greca (Recife), Museu Vale (Vila Velha-ES), Funesc (João Pessoa), Fundação Rômulo Maiorana (Belém), Funarte (Rio de Janeiro).


 [1] Roberto Arlt, Los Siete Locos.


– Marcio Harum

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